Nosso Acervo - Floresciência

Biologia - Anatomia/Fisiologia

São apresentados estudos sobre Anatomia - estrutura física dos seres vivos – e Fisiologia - funções e funcionamento dos seres vivos.

Em Breve

Floresciência

Ooho!: num futuro próximo poderemos beber bolhas de água

A start-up inglesa Skipping Rocks Lab criou a versão sustentável para as garrafas de plástico: as bolhas Ooho!, como são chamadas, são produzidas a partir de um extrato natural de algas marinhas¹.
Não existe plástico em sua composição e, assim, ela pode ser ingerida por completo, sem desperdício. Além do mais, se a bolha não for consumida, ela se decompõe no período de 4 a 6 semanas¹,².
Atualmente, das diversas praticidades a que temos acesso no supermercado, muitas carregam consigo o peso da poluição. O plástico das nossas garrafinhas de água, por exemplo, se acumula nos aterros sanitários por possuir uma baixa taxa de reciclagem (apenas 20% de todo o consumo) e um tempo elevado de decomposição (mais de 500 anos)3.
Por ano, chegam aos oceanos cerca de um bilhão de garrafas plásticas, que – junto a outros produtos feitos de plástico, acumulam 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos, causando a morte de inúmeros animais e alterando o ecossistema e a qualidade da água no planeta4.
Em vista destes problemas, uma start-up inglesa, a Skipping Rocks Lab, criou uma maneira totalmente sustentável de consumir água. A Ooho! é uma bolha comestível feita de algas marinhas e cloreto de sódio. A água potável pode ser envolta por esta bolha, a qual possui uma membrana de resistência média, pode ser furada com os próprios dentes, permitindo o consumo da água armazenada5 de forma prática e não-poluente.
A Skipping Rocks Lab é pioneira no uso de materiais naturais extraídos de plantas e algas para criação de embalagens com baixo impacto ambiental de modo a criar alternativas livres de resíduos para substituição das garrafas de plástico. De acordo com o site da start-up, a criação da Ooho! tem como pretensão de impacto evitar que 1 bilhão de garrafas de plástico alcancem, anualmente, os oceanos e evitar, também, a emissão de 300 milhões de kg de CO2 na atmosfera6.
A ideia foi criada em 2013 por três engenheiros da Royal College of Art e da Imperial College London, ambas do Reino Unido. Ao início do projeto, os engenheiros não possuíam fundos para produzir a bolha em larga escala e, para contornar essa situação, realizaram um financiamento coletivo (crowdfunding) na plataforma Crowdcube, intitulado “Pense fora da garrafa”, que arrecadou cerca de R$ 3,104 milhões, permitindo que eles começassem a produzir as bolhas e pudessem testá-las em eventos no Reino Unido4.
Segundo um dos criadores da Ooho!, a bolha foi desenvolvida com base na técnica da esferificação, criada em 1946 e usada na culinária. Esta técnica é responsável por transformar líquidos em esferas, tendo sido criada em 1946, no ramo da culinária. Desta forma, a água é congelada e os cubos são cobertos pela membrana comestível. O custo deste processo é extremamente baixo quando comparado com o custo da fabricação de garrafas de plástico4.
Assim como uma fruta, a Ooho! é biodegradável e se decompõe de 4 a 6 semanas, quando descartada. Também emite 5x menos CO₂, utiliza 9x menos energia e é mais barata que o plástico das garrafas PET. A bolha pode ser, ainda, aromatizada e colorida, armazenando, além de água, sucos e refrigerantes. Seu uso pode ir além: armazena cosméticos, produtos de limpeza e outros6.
Atualmente, a Ooho! não está disponível para compra num geral. Ela é vendida apenas para eventos, como conferências e festivais7. Existem, ainda, alguns obstáculos para que a Ooho! seja comercializada, como, por exemplo, a dificuldade em manter a higiene do produto e realizar seu transporte de forma a não danificar o produto.
Um futuro sustentável nos aguarda!

Referências:

REVISTA GALILEU. Engenheiros criam bolhas de água comestíveis para substituir garrafas. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017
REVISTA PEGN. Que tal uma bolha de água comestível para substituir sua garrafinha? Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017
VÍRGULA. Cientistas inventam bolhas de água comestíveis para substituir garrafas plásticas. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017
NUNES, M. Ooho!: engenheiros criam bolha de alga para eliminar uso de garrafas plásticas. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017
HYPENESS. Estudantes criam garrafa d’água comestível que pode ser a solução contra o acúmulo de plásticos no mundo. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017.
SKIPPING ROCKS LAB. We make packaging disappear. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017.
SKIPPING ROCKS LAB. Ooho! Water you can eat. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2017.

Avanço nas pesquisas da cura do Diabetes Mellitus

Anunciada em março de 2017, a vacina Bacilo Calmette-Guérin (BCG), mais conhecida por inibir a tuberculose, pode, agora, ser testada em um grande grupo de humanos para o tratamento do Diabetes Mellitus tipo 1¹. De acordo com a Fase I do estudo, que testou a vacina em um pequeno grupo de pacientes, o BCG promete melhorar a produção de insulina natural pelo pâncreas de pacientes que ainda produzem uma pequena quantidade do hormônio².
Após 20 anos de pesquisa, a Dra. Denise Faustman, do Hospital Geral de Massachusetts, e sua equipe conseguiram a autorização da Food and Drug Administration - FDA para o citado teste¹. Este órgão do governo norte-americano autorizou que os pesquisadores recrutassem 150 pacientes diabéticos para teste dos efeitos da vacina a longo prazo. Se obtiver resultados positivos, o BCG poderá ser usado para reverter a doença³.
O Diabetes Mellitus (DM), de acordo com a Associação Americana de Diabetes (ADA), é uma doença metabólica caracterizada por hiperglicemia de jejum (igual ou maior que 126mg/dL) e é dividido em quatro tipos principais: DM1, DM2, DM gestacional e outros tipos específicos5.
A Organização Mundial de Saúde, no ano de 2015, estimou a quantia de 9% da população global de adultos maiores de 18 anos como portadores de DM, sendo, aproximadamente, 10% destes portadores de Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1)6.
O DM1, comum em jovens e crianças, é caracterizado pela destruição autoimune das células β, por meio da ação dos macrófagos CD4+ e CD8+ sobre as ilhotas pancreáticas7. As células β ficam localizadas no pâncreas e são responsáveis pela produção de insulina, hormônio anabólico essencial para a homeostase da glicose e para o desenvolvimento e crescimento celular. Consequentemente, uma vez destruídas, as variações na concentração de insulina em resposta à ingestão alimentar são incapazes de serem mantidas8. Em decorrência à falta de insulina, o corpo torna-se incapaz de absorver a glicose plasmática, causando hiperglicemia.
O DM, através da hiperglicemia, é a principal causa de complicações no rim (nefropatia), casos de cegueira em adultos (retinopatia), danos em nervos periféricos (neuropatia), complicações na saúde muscular (miopatia), amputações não-traumáticas de membros inferiores e doenças cardiovasculares6.
Somente nos Estados Unidos, em 2012, foi estimado que 9,3% de sua população total gasta $245 bilhões em custos com a saúde. Entretanto, este valor aumenta 2,3 vezes quando comparado ao gasto com pacientes diabéticos6. Anunciada em março de 2017, a vacina BCG poderá ser testada em um grande grupo de pacientes diabéticos para o tratamento do Diabetes Mellitus tipo 1. O custo da vacina será baixo, pois o BCG existe há quase um século e está disponível em sua forma genérica. “Nós não apenas procuramos por algo barato e seguro, mas também queremos descobrir um tratamento que possa reverter uma das mais severas formas da doença em pessoas que têm entre 15 e 20 anos”, diz Denise³.
De acordo com a Fase I do estudo, que testou a vacina em um pequeno grupo de pacientes, o BCG promete melhorar a produção de insulina natural através do pâncreas de pacientes que ainda produzem uma pequena quantidade do hormônio. A vacina estimula o sistema imunológico a ativar o fator de necrose tumoral (TNFa), uma proteína que destrói as células T anormais que interferem na capacidade do pâncreas de produzir insulina. O tratamento ajudou a eliminar as células T defeituosas que erroneamente atacam e destroem as células produtoras de insulina do pâncreas (β), restaurando, temporariamente, a capacidade anterior do pâncreas de produzir pequenas quantidades de insulina. A elevação do TNFa já tem comprovação de efeitos terapêuticos em algumas configurações do BCG4.
Após 20 anos de pesquisa, Dra. Denise Faustman e sua equipe, conseguiram a autorização da Food and Drug Administration - FDA para recrutar 150 pacientes diabéticos para teste dos efeitos da vacina a longo prazo³.
Destes 150 indivíduos, uma parte será tratada com a vacina BCG e a outra com placebo. O atual plano a ser posto em prática é a administração de duas injeções a cada quatro semanas e depois, anualmente, por quatro anos. Os pacientes vão continuar a tomar insulina, embora espera-se que o BCG reduza a quantidade de insulina necessária para manter o controle de açúcar no sangue. Portanto, durante cinco anos, os efeitos serão avaliados e, posteriormente, uma nova pesquisa será feita e os resultados divulgados. Se obtiver resultados positivos, o BCG poderá ser usado para reverter a doença¹,³.

Referências
MCKEON, A. MGH Researcher’s Diabetes Quest Takes Big Step. Disponível em: https://giving.massgeneral.org/researchers-diabetes-quest-advances/
MGH IMMUNOBIOLOGY LAB TYPE 1 DIABETES RESE. Disponível em: http://www.faustmanlab.org/docs/clinicalt/BCG%20TRIALS%20FACT%20SHEET.pdf.
WEINTRAUB, A. Pesquisadora pode ter desenvolvido vacina para diabetes nos EUA. Disponível em: http://www.forbes.com.br/lifestyle/2015/06/pesquisadora-pode-ter-desenvolvido-vacina-para-diabetes-nos-eua/
FAUSTMAN, D. L. et al. Proof-of-Concept, Randomized, Controlled Clinical Trial of Bacillus-Calmette-Guerin for Treatment of Long-Term Type 1 Diabetes. Disponível em: http://www.faustmanlab.org/docs/academic/JournalPone0041756.pdf.
ADA. American Diabetes Association. Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diab Care, v.29, p.43–8, 2011.
BROWN, M. A.; DAVIS, C. S.; FLEMING, L. W.; FLEMING, J. W. The role of Toujeo, insulin glargine U-300, in the treatment of diabetes mellitus. Journal of the American Association of Nurse Practitioners, 2016.
GILLESPIE, K. M. Type 1 diabetes: pathogenesis and prevention. CMAJ, n. 175, v. 2, 2006.
FERREIRA-HERMOSILLO, A; MOLINA-AYALA, M. A. Enfermedades autoinmunitarias asociadas a diabetes mellitus tipo 1A. Rev Med Chile, n. 143, 2015.